2.7.09

Um país com o nome de um rio...

Meu próximo destino: Uruguai

Vou passar 5 meses em Montevideu (cidade sul-americana de melhor qualidade de vida, segundo estudos da Mercer)

Vou trabalhar em uma ONG que trabalha com educação profissionalizante para jovens e adultos que não têm estudo superior, pra ajudar a alocá-los no mercado de trabalho.

Vou morar no país com o nome de um rio, terra de Jorge Drexler e Eduardo Galeano...

un país con el nombre de un río
un edén olvidado
un campo al costado del mar

Vou tomar mate na rambla, vou caminhar em direção ao horizonte...

... e que "sea lo que sea"...

July Morning (manhã de julho)

Na Bulgária, na noite de 30 de junho, jovens se reunem na beira da praia do Mar Negro pra esperar o nascer do primeiro sol de julho.


Essa tradição começou com influência do movimento hippie e como uma manifestação de protesto durante o comunismo... o primeiro sol de julho seria o inicio de uma vida nova... e o fato de todos esperarem o sol juntos, na praia, seria uma demosntração de união e harmonia...
(para saber mais, veja aqui - em inglês)

O evento tem até uma música-tema: July Morning (de Uriah Heep):

There I was on a july morning
Looking for love
With the strength
Of a new day dawning
And the beautiful sun

At the sound
Of the first bird singing
I was leaving for home
With the storm
And the night behind me
And a road of my own

With the day came the resolution
Ill be looking for you
La la la la

I was looking for love
In the strangest places
Wasnt a stone
That I left unturned
Must have tried more
Than a thousand faces
But not one was aware
Of the fire that burned

In my heart, in my mind, in my soul
La la la la

There I was on a july morning
I was looking for love
With the strength
Of a new day dawning
And the beautiful sun

And at the sound
Of the first bird singing
I was leaving for home
With the storm
And the night behind me
Yeah, and a road of my own

Como eu estava em Varna (na Bulgária, no litoral do Mar Negro e com o mar a leste da cidade), eu estava em um lugar perfeito pra comemorar a tal da July Morning...


Fui com um pessoal da AIESEC pra beira da praia... caminhamos na areia as 4h da manhã, molhamos os pés no mar e fomos até o farol de onde teríamos o melhor ângulo para observar os primeiros raios do amanhecer...


Foi um festival de cores... céu rosado, alaranjado, amarelado... e finalmente, as 5h30, o sol nasceu... bem vindo, sol de julho! bem vinda, manhã de julho!


é o começo de um novo ano pra mim... fim do meu ano na Europa Centro-Oriental... inicio das minhas férias pela Europa, inicio do meu verão aqui... e inicio das novas aventuras que estão por vir...

15.6.09

Bringa, Velence & Citadella

Bringa
"bringa" é como se diz "bicicleta" em hungaro...
Bringa poderia ser um "apelido carinhoso" para bicicletas no Brasil (assim como dizemos "magrela" poderiamos muito bem dizer "bringa" tambem, não? pois vou adotar!)

Sabado, alugamos 2 bringas e fomos, Leticia e eu, até Szentendre...
São 20km até lá... pela beira do Danúbio, cortando bosques, com vista pro rio e cheiro de flores... No caminho, paramos pra comer amoras, ficar com os dedos roxos e lembrar da infância...



Em Szentendre, comemos lángos e sentamos na beira do rio pra descansar... e aí voltamos pelo mesmo caminho (outros 20km!)



Chegando em Budapeste, ainda tivemos energia pra tomar sorvete na Ilha Margit e tomar chimarrão ao entardecer

Velence
Velence é um lago que fica a 50km de Budapeste... Não é grande e famoso como o Balaton, mas é um lugar bem gostosinho...
Grama, águas banháveis, pessoas tomando sol, praticando esportes aquáticos, tomando cerveja, caminhando... não é praia, mas quebra um galho!



Passamos o domingo lá, tomando banho de sol, caminhando ao redor do lago, colocando os pés na água e tomando chimarrão assistindo o por do sol!




Citadella
É uma fortaleza no topo de um morro aqui em Budapeste... lá de cima a vista da cidade é muito bonita...


...e nós fomos lá à noite!


Admiramos a vista, tocamos violão, cantamos (de mamonas assassinas a xitãozinho e xororó), tomamos vinho e nos divertimos muito!


(a gente até abriu a caixa do violão do Roger pra ver se ganhava umas moedas... hahaha!)

é, foi um fim de semana cheio! :)

10.6.09

Meus lugares preferidos...

Em cada cidade que morei, encontrei alguns cantinhos que gostei, que se transformaram em meus lugares preferidos...

Em Santa Fé (na Argentina):
* o telhado da minha casa. Eu subia lá em cima e ficava olhando os telhados das casas vizinhas e cantando "Telhados de Santa Fé", em uma adaptação minha de "Telhados de Paris"... também pendurava roupas pra secar e assistia o pôr-do-sol lá de cima
* o caminho no meio da boulevar que ia da 9 de Julio até a costanera... era um canteiro com árvores no meio da avenida... e ia dar no rio...
* a costanera, calçadão na beira do Rio Paraná, onde eu sentava pra tomar mate com o pessoal e caminhava com minhas "maninhas"

Em Córdoba (tambem na Argentina):
* as ruas de Nueva Cordoba - principalmente na primavera, quando todo mundo ficava na calçada até tarde, tocando violão, cantando, tomando cerveja... e os bares e danceterias sempre cheios até o amanhecer
* o parque, onde ia tomar mates, caminhar ao redor do lago, sentar na grama...

Em Porto Alegre:
* a beira do Guaíba perto do Gasômetro, onde andávamos de bicicleta e depois sentávamos pro chimarrão
* a Redenção, onde caminhávamos ao redor do lago, passeávamos nos fins de semana e, claro, também tomávamos chimarrão
* a Rua da República, por onde caminhava dentro do "tunel" de árvores que cobre a rua...

Em São Paulo:
* o Ibirapuera... pedaço de calma no meio da confusão da cidade... e onde eu assistia shows, teatros, ia a festivais... onde sempre tinha algo acontecendo
* o parque da Aclimação, onde caminhava no final da tarde, depois de um dia inteiro sentada em frente ao computador
* o café no centro cultural da Gazeta, onde eu sentava em uma mesa na frente da janela e tomava café enquanto via as pessoas passarem apressadas pela Avenida Paulista
* a feira de todas as sextas de manhã, onde comprávamos frutas e verduras pra semana inteira e almoçávamos tempura e tapioca de morango com leite condensado

Em Praga:
* as paredes de Visehrad, a fortaleza perto do rio, onde eu sentava e ficava olhando pro castelo, as casinhas medievais que ficavam embaixo, nas ruazinhas que cruzavam por ali... e onde eu sentava na grama e aproveitava o fato de, por mais que fosse um lugar super bonito, os turistas ainda não tinham descoberto
* Haje - o bosque perto da minha casa, onde eu caminhava, pisava as folhas de outono e até fui colher cogumelos!
* o lago perto de casa, onde eu fazia minhas caminhadas de fim de semana... e onde em cada estação do ano, eu observava uma paisagem diferente

E aqui em Budapeste:
* o tunel que atravessa o morro onde fica o castelo... onde eu subo e sento no topo do tunel, admirando a vista da Ponte das Correntes, o Danúbio e a catedral ao fundo
* a Ilha Margit no verão... onde vou caminhar, sentar na grama, assistir as águas dançantes do chafariz...
* a rua onde fica a "minha" biblioteca... ruazinha charmosa de paralelepípedos que no outono tinha árvores amarelinhas e agora que é verão tem barzinhos e cafés com charmosas mesinhas nas ruas... andando por essa rua cruzo uma praça com um chafariz no meio, vejo uma igrejinha... adoro a calma e tranquilidade da rua... e a minha biblioteca também é legal! Tem livros em inglês e até espanhol e português!
* no inverno, o Szimpla, bar alternativo e underground, onde a gente sentava pra tomar chá indiano com especiarias e leite
* e no verão, Godor, o bar que coloca mesas na rua e a praça fica lotada de gente conversando e tomando cerveja ao ar livre... até altas horas da madrugada!

Em cada cidade encontrei meus cantinhos, meus pedaços de cidade que fazem eu me sentir em casa... e assim, me sinto em casa onde quer que eu esteja! :)

8.6.09

Brasileiros em Budapeste

Tem muitos brasileiros (e gauchos!!) aqui em Budapeste agora... então às vezes eu até esqueço que não to no Brasil... Foram vários os eventos que me fizeram sentir em casa nessas últimas semanas...

Janta Gaucha

Cozinhamos carreteiro (que, com linguiça húngara, ficou meio laranja e esquisito, mas ficou bom assim mesmo), comemos negrinho, e, como agora temos um violeiro profissional por aqui (e gaucho, ainda por cima!!), cantamos todas as musicas gauderias... de "ceu, sol, sul" a "vaquinha preta", passando por "amigo punk", todos os clássicos do rock gaucho e todos os nossos "hinos".


No fim da noite, depois de vários vinhos húngaros, a criatividade era tanta que um dos guris até inventou uma música nova: o "Blues do Guaiba Podre" ;)

video

(e o bairrismo da noite era tanto que depois, descrevendo quem tinha ido lá em casa pra janta, eu disse "foram todos os gauchos... ah, e tinha uns brasileiros também")

Chimarrão no Parlamento

Agora que tenho companhia pro chimas, tenho usado a cuia com bastante frequência... Um dia desses, resolvemos sentar na beira do Danúbio, na frente do Parlamento e aproveitar um céu lilás tomando mate...


(porque naquele dia, Budapeste não era cinza, era Lilás!)

Pelada na Ilha e Jogo do Brasil

Sábado os guris resolveram se reunir na Ilha Margit pra jogar bola... acho que eram mais de 15 brasileiros (ta, tinha uns colombianos e mexicanos também)... foi uma pelada digna de qualquer campinho brasileiro: goleirinha feita de chinelo, mochila, o que tivesse pela frente; time dos sem-camisa contra o time dos com-camisa... e as gurias na torcida ;) Rimos muito... tava com saudade das piadas e avacalhação brasileiras!

E depois do jogo deles, fomos num bar assistir o jogo do Brasil (contra o Uruguay, nas eliminatorias da copa)... com bandeira, camiseta do Brasil e tudo... fizemos festa, comemoramos, gritamos... parecia que estávamos no Brasil!

Mais chimarrão

E como gaucho que é gaucho não se mixa pra chuva, ontem enfrentamos a chuva, subimos até o distrito do castelo e sentamos no "Bastião dos Pescadores" (Fisherman´s Bastion) pra tomar chimarrão, admirar a vista de Pest lá de cima, falar da vida e fazer experimentos fotográficos com a minha câmera.


E no fim da tarde, o sol abriu uma fresta pelo meio das nuvens cinzentas, iluminou o parlamento, pintou o céu com um arco-íris e confirmou o que disse Chico Buarque...


..."Budapeste é amarela!"

4.6.09

Londres



Alguém me disse que Londres era a “capital do mundo”... eu concordo! Me disseram que Londres é frenética em seu ritmo e que suas ruas transpiram vida... tinham razão! Que o humor britânico é super sarcástico e que a cidade é cult... comprovado! Também tinham me dito que eu ia amar Londres... acertaram!

Mas quem vai a Londres pra ver o Big Ben, o London Eye e a Tower Bridge, corre o risco de não ver Londres!


Porque o melhor de Londres não são os pontos turísticos... não são as filas de japoneses se acotovelando pra tirar a melhor foto em frente ao Big Ben, não é o transtorno de turistas atravessando a Tower Bridge, não é a fila de turistas loiros, altos e de sandália esperando sua vez para subir no London Eye... até porque o Big Ben é simplesmente um relógio, a Tower Bridge nada mais é do que uma ponte e o London Eye é só uma roda-gigante gigante...


Mas ainda assim, Londres é o máximo!

A cidade é viva, movimentada... é o lugar mais diverso que já pisei... são pessoas de todos os lugares, estilos, etnias... falando todas as línguas, vestindo os mais variados tipos de roupa... são lojas de produtos de qualquer canto do mundo... quer encontrar produtos taiwaneses? Quem sabe temperos indianos? Um souvenir polonês? Quer guaraná? Um jantar num restaurante árabe? Sair pra dançar salsa? Tem tudo lá!

E como a cidade é tão variada e atende a todos os gostos, compartilho aqui a minha Londres... os meus lugares/momentos preferidos lá...

Logo no primeiro dia, entrei na que se diz “A maior livraria de livros de viagem do mundo”... são 3 andares de mapas, globos terrestres, livros de viagem, guias turísticos, livros de idiomas... quer aprender “nepali”? thailandes? Tem livro lá! E o chão do primeiro andar da livraria é um mapa-mundi gigante! Adorei!


No fim de semana, caminhamos por Notting Hill (sim, o bairro do filme), pelo mercado de Portobello, que é um lugar onde tu encontra tudo e nada! São antiguidades, frutas e verduras, artesanatos, quadros e artigos inúteis em geral... As casinhas coloridas e o sol (sim! Tivemos sol lá!) davam um colorido especial à feirinha.


No domingo a noite, pra poupar dinheiro, compramos sanduiches, suco de caixinha e uns brownies no supermercado... e fomos procurar um lugar pra sentar e comer... estávamos em Convent Garden e achamos uma dessas ruas para pedrestes, onde um desses musicos de rua tocava violão (super bem equipado, com microfone, caixas de som, amplificador...) pra ganhar umas moedas... e um monte de gente estava sentado ao redor dele, cantando junto, aplaudindo, assobiando... sentamos também! Fizemos nosso lanche, curtimos o som... e em certo momento a Letícia me chamou a atenção “Bárbara, tu viu onde estamos?” Virei pro lado e vi que estávamos sentadas em frente à “Royal Opera House” (Opera Nacional)!


Meu bairro preferido em Londres, no entanto, é Camden Town. É o bairro hippie... É um lugar onde tu encontra feirinha de roupas hippies (muito baratas, por sinal!) e ao lado, uma loja de roupas punk... acessórios de cabaret ou de cowboys... lá foi onde vi a maior variedade de estilos (e não, ninguém se importa com o teu jeito de vestir... ninguém vai te olhar, julgar e apontar por causa do teu penteado ou a cor das tuas botas). Eu e a Letícia até fizemos compras lá!


Outro lugar legal é Piccadilly Circus. Parar na frente da estátua que fica em frente à estação do metrô e ver todos aqueles teatros por todos os lados... os luminosos anunciando qual é a boa... as pessoas passando, conversando, o coração da cidade pulsando... O fantasma da Ópera, Mamma Mia, Priscilla a rainha do deserto... as diversas bancas de ingresso que vendem pela metade do preço e as filas de gente tentando descobrir qual o ingresso mais barato pros mais variados espetáculos... Nei Lisboa tem razão quando canta que o “mundo dá voltas às voltas de Piccadilly Circus”...


Cansou da correria da cidade? O ritmo tá muito frenético? Não tem problema... basta entrar em um parque e achar um banco pra sentar, descansar e ver os esquilos correndo por entre as árvores... às vezes nem é preciso tanto... é só entrar em alguma ruazinha pequena e encontrar casinhas típicas inglesas e a calma de bairros residenciais (em pleno centro da cidade!)


Eu sempre gostei de cidades onde as coisas acontecem... cidades com acesso fácil a cultura... Londres ganha todas... até porque a maioria dos museus e exposições são gratis!! Demos uma caminhada pela National Gallery (a Galeria Nacional), pra ver alguns Van Gogh, Manet e Monet... (entrar em museus em Londres pode ser a melhor saida pra uma tarde em que a chuva te pega como turista desprevenido)

Outra coisa que eu gostei por lá foram as pessoas... encontrei britânicos super simpáticos, dispostos a ajudar.. vi uma cena em que 2 velhinhos olhavam um mapa em uma esquina e passam 2 britânicos super solícitos:
- Hello, good morning. Do you know where you are? (Oi, bom dia. Vocês sabem onde estão? – perguntando com ares de quem tá disposto a ajudar caso eles não saibam)
- Yes, we have a very good map, thanks (Sim, temos um mapa muito bom, obrigada. – dizem os velhinhos)
- ok, so have a nice day and enjoy London (Então tenham um bom dia e aproveitem Londres)

Isso sem contar o guardinha do metrô que, ao ver que a máquina de ticket não aceitava minha nota, tirou uma nota da própria carteira pra me ajudar a pagar a passagem.

E como já tinham me dito, eles têm um humor muito peculiar... Andando em uma rua de restaurantes, onde a maioria deles tinha em frente um cartaz com o menu ou os preços, encontrei um que tinha isso:


Ah! E é claro que também gostei dos símbolos pop da cidade: o círculo vermelho com a tarja azul do metrô, o ônibus vermelho de dois andares, a cabine de telefone vermelha, os guardinhas do palácio da rainha com a roupinha vermelha e o chapéu preto...


Ah, mas sabe o que foi o melhor de Londres? É que todo mundo fala inglês! (e, depois de 1 ano na Republica Tcheca e outro na Hungria, entender o idioma do país faz uma diferença... eu entendia o que falavam no metrô, todo mundo na rua conseguia me dar informação, me comuniquei com vendedor de feirinha e policial e me deliciei entrando em livraria!)

Londres não é a cidade que eu escolheria pra morar a vida toda... mas ia adorar morar lá por uns tempos...


30.5.09

Vote no meu blog!!

Meu blog foi indicado ao prêmio de melhor blog sobre experiência internacional num concurso promovido pela Lexiophiles e bab.la. Legal, ne?? :D

Entao te convido, meu caro leitor, a votar em mim!!

Confira aqui a lista de blogs indicados (o meu e o número 9)

E pra votar, clica no botao abaixo:




Obrigada!! :D

18.5.09

Mensagem para o dia de hoje...

(significa: "Continue sorrindo. Isso confunde as pessoas")

E eu encontrei isso em uma calçada em Budapeste... e tava em uma estátua assim:

15.5.09

Já que eu falei dos alfabetos...

tenta descobrir aonde tu quer ir...

Na Georgia, eu precisava chegar em "Delisi"...


E na Armenia, em "Baregamutyun"


Um premio pra quem descobrir onde e!! :)

10.5.09

Mãe

Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.


Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...


Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

(Mário Quintana)


Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.


Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

(Coelho Neto)

Para a minha mãe: Feliz Dia!!

Lulu: mesmo longe, nossos corações tão pertinho... as fotos são de momentos que tu esteve comigo fisicamente... mas em todos os outros momentos, tu tá comigo no coração ;)
Feliz dia das mães!!
Te amo!
:)

8.5.09

Significados

Eu agora sei ler em 4 alfabetos! :)
(observação importante: saber LER não significa que eu ENTENDO o que está escrito :P)

Se quiserem tentar aprender tambem, ai vao eles:

Alfabeto Latino - esse é o que todos vocês sabem também... o que a gente usa em português, inglês, etc...

Alfabeto Cirilico (usado na Bulgaria, Russia, Macedonia...)


Alfabeto Georgiano (sim, da Georgia...)


Alfabeto Armênio (da Armenia, obvio)


(detalhe: o alfabeto georgiano e o armênio só são usados em seus respectivos países... ninguém mais no mundo usa eles!! :P) (e sim, eu realmente consigo "decifrar" as palavras escritas com esses alfabetos!!! por mais dificil que isso possa parecer... é tipo quando a gente brinca de decodificar mensagens quando é criança... :P)

Bom... aí sabendo 4 alfabetos, começo ter algumas confusões de significado...

Veja o exemplo do 3

Pra gente, 3 é o número três

Em cirílico, 3 é a letra Z ()

Em georgio, 3 é a letra V ()

e em armênio, 3 é um som que eles representam com o Y do alfabeto latino, mas que na verdade soa como "ie" pra nós

Já imaginou a confusão? :P

(qual será meu próximo alfabeto? árabe? grego?)

6.5.09

Relevância

A AIESEC tem como visão "Peace and fulfillment of humankind's potential" (traduzindo seria algo como "Paz e plena realização das potencialidades humanas")

Com essa visão, procuramos fazer atividades que sejam relevantes... relevantes para alcançar o que queremos: paz e plena realização das potencialidades humanas...

Semana passada, no Congresso da AIESEC da Ásia Central e Caucasus, vi como a gente realmente pode ser relevante...

Um pouco do contexto:
* A Armênia e a Turquia estiveram em guerra no final do século XIX e início do sec. XX... além de disputas territoriais, essa guerra culminou em um genocídio: mais de 1 milhão de armênios foram vítimas do genocídio e mais de 800 mil armênios saíram do país (no que é conhecido como "diáspora armênia").

Por isso, até hoje Armênia e Turquia têm suas fronteiras fechadas (sim, isso significa que apesar de serem países vizinhos, é impossível cruzar a fronteira da Armênia com a Turquia)

* O Azerbaijão tem uma região dentro de seu território que é habitada por armênios - que requerem sua autonomia... a disputa por essa região entre armênios e azeris mantém os países em guerra desde princípios dos anos 90... hoje há um cessar-fogo, mas os dois países não tem relações diplomáticas, tem suas fronteiras fechadas e cultivam uma mentalidade de ódio com relação ao outro país...

(para saber mais sobre o contexto, clique aqui)

Na conferência...

...tínhamos delegados de todos esses 3 países: armênios, turcos e azeris...

...muitos armênios nunca tinham visto um azeri "ao vivo" e a maioria deles nunca tinha conversado com um (e vice-versa)...
Isso porque a mídia em seus países faz com que eles vejam com maus olhos as pessoas do país vizinho...

mas... como estamos na AIESEC e como todos nós queremos PAZ, durante a conferência, as duas delegações (Armênia e Azerbaijão) tiveram uma reunião com todos os seus delegados... Nessa reunião, conversaram sobre suas diferenças, semelhanças... sobre seus diferentes pontos de vista e suas visões similares de futuro...

...eles entenderam que os motivos do conflito entre seus países mas, acima disso, entenderam que são todos seres humanos, jovens e que têm sonhos parecidos... e todos concordaram que guerras não fazem sentido e que diálogo entre os dois países é preciso...
...terminaram a reunião comemorando o aniversário de uma guria do azerbaijão juntos... comendo bolo e compartilhando experiências...

e durante o resto da conferência, armênios e azeris participaram juntos em grupos de discussão, festas... conversaram sobre a AIESEC na região do Caucasus... e foram pra casa com uma imagem muito diferente do país vizinho ;)

E sobre a Turquia?

Não só as delegações da Turquia e da Armenia conviveram pacificamente durante a conferência, tiraram fotos juntos e também participaram juntos nas sessões e atividades sociais...
...como também a Armênia e a Turquia realizaram seus primeiros INTERCÂMBIOS!

2 armênios estão agora na Turquia em seu intercâmbio através da AIESEC... estão trabalhando em empresas/projetos por lá, aprendendo sobre a cultura turca (um deles esteve em um casamento turco) e vendo que há muito mais semelhanças do que diferenças entre esses 2 povos...

...são acontecimentos como esses que me fazem acreditar não só na relevância da AIESEC como na possibilidade de um futuro melhor :)

4.5.09

Pascoa na Bulgaria

Passei a minha Páscoa em Varna, na Bulgaria... cidade na costa do Mar Negro...

Pra eles não era Páscoa (porque, como são ortodoxos, a Páscoa acontece 1 semana depois) e sim Domingo de Ramos... mas mesmo assim, eu aproveitei...

Conheci o Mar Negro (que não é negro coisa nenhuma... é bem azulzinho, aliás...)...


Coloquei os pés na água, caminhei na areia de pés descalços...


Senti o vento salgado na cara e os respingos das ondas...


Comi frutos do mar num restaurante na beira da praia...


Coloquei uma coroa de ramos na cabeça, como eles fazem por aqui no domingo de ramos...
(e depois até fui na igreja e o padre benzeu meus ramos...)


Andei pelo centro da cidade, imaginando como deve ser legal andar por lá no verão...



...e prometi voltar no verão, pra aproveitar ainda mais :)

28.4.09

Alfabetos...

Na Bulgaria...


Na Georgia...

21.4.09

Uma longa viagem...

(ou: aventuras na fronteira da Europa e da Asia)

Passei a Páscoa na Bulgária (em Varna, cidade na beira do Mar Negro!!)... não tava quente pra entrar no mar, mas pisar na areia e molhar os pés na água foi bem legal :D
(mais sobre a Páscoa em algum post no futuro - assim que eu conseguir baixar as fotos)

De lá, meu objetivo era chegar em Tbilisi, capital da Georgia... como avião é muito caro, a viagem foi assim:

Domingo, 21h: Varna - Istanbul (de ônibus)
Viagem tranquila, ônibus bom... controle de passaporte na fronteira, todo mundo abre mala pra inspecionar... nada de muito anormal...

Segunda, 5h da manhã: cheguei em Istanbul, estação de ônibus
4hs de espera na estação, assistindo filmes no computador e esperando ser 9hs pra ligar pro pessoal da AIESEC

9hs, começo a viagem em direção ao escritório... 11hs chego lá...
Istanbul faz eu me sentir "em casa" pelo caos, as multidões, os engarrafamentos... 2hs pra ir de um lugar a outro na cidade... eu não to mais acostumada com isso...

Como na minha viagem de Pascoa as rodinhas da minha mala quebraram (e a alça já tava quebrada), eu tinha literalmente uma mala sem alça e sem rodinha...
...por isso, resolvi aproveitar a tarde de 2a feira pra comprar uma mala nova...

Como eu não tinha muito dinheiro pra investir na mala, fui procurar mala nova num lugar bem parecido com a 25 de março em São Paulo... ruazinhas cheeeeias de gente, vendedores de tudo que é coisa no meio da rua, gente tentando te puxar pelo braço pra tu comprar as quincalharias deles... acabei achando uma mala por 50 reais... bom :)

Segunda a noite dormi em Istanbul e acordei as 5h da manhã pra ir pro aeroporto e pegar o avião pro próximo destino...

Terça, 8h20 da manhã: vôo Istanbul - Trabzon

Trabzon é uma cidade no leste da Turquia, nas margens do Mar Negro. É uma das cidades mais importantes daquela região, mas não tem muito o que fazer por lá...

Cheguei as 10h da manhã... a ida do aeroporto até o lugar onde eu ia pegar o ônibus pro próximo destino foi engraçada... Ninguém fala inglês... e eu tinha anotado o nome do lugar onde eu precisava ir (tinha pesquisado antes, claro!): Çomlakçi (se lê "tchomlaktchi"). Então eu só falava essa palavra e fazia cara de ponto de interrogação... e as pessoas apontavam... Acabei achando o caminho...

Chegando lá... não era uma estação de ônibus... era simplesmente uma rua cheia de banquinhas vendendo moraguinhos, banana, iogurte, geleia e pneus... e onde os ônibus estacionam...

Entrei na lojinha que vendia passagens pra Tbilisi. Barganhei no preço e comprei a passagem (15 reais mais barato do que o preço inicial!! isso só existe por aqui!! :P)
Deixei a mala lá e saí pra passear...

Andei pelas ruelinhas estreitas e cheias de gente vendendo de tudo, vi umas 26 mesquitas, caminhei na beira do Mar Negro (mas o povo lá não cuida... é sujo e feio... não tinha muita graça andar por lá)... fui no museu "Santa Sofia", uma igreja que foi construida pelos bizantinos, usada como igreja cristã, como mosteiro... e que hoje é só museu mesmo... tirei fotos, caminhei aleatoriamente pela cidade entediada... e voltei pro lugar de onde meu ônibus saía...

20hs: Trabzon - Tbilisi
Não era um ônibus... era um micro-ônibus... e a viagem que me esperava ia levar 12hs... :P

...levou 13 :S

O micro-ônibus era uma comunidade interessante de pessoas... alguns turcos, a maioria mulheres da Georgia... um norte-americano e eu... (as 2 unicas criaturas que falavam inglês)

As pessoas iam conversando (e, na maioria das vezes, pela entonação da voz, discutindo ou brigando) entre elas... não importando aonde estavam sentadas (o pessoal do fundo do onibus gritava pros lá da frente...)...

Quando o micro-ônibus parava em alguma cidade, o pessoal descia e gente nova subia... as pessoas novas sentavam em qualquer lugar (já que não tinha lugar marcado) e quando as que já tavam antes voltava, tinham que sentar em outro lugar... não gostei da idéia e preferi não descer nunca :P

O motorista ia ouvindo musica turca/georgia (não consegui identificar o idioma, já que os 2 são ininteligíveis pra mim) no último volume (mesmo que fosse 1h da manhã!!)

E toda vez que alguem queria parar pra alguma coisa, ele parava... parou pro pessoal comprar água... parou pra descerem pra comprar comida... parou pra trocar dinheiro (depois de cruzarmos a fronteira)... parou pra dar informação pra um cara na rua... parou pra TUDO!!!

Ah, e claro... a fronteira! Eu era a única que precisava de visto... entreguei meu passaporte e o sorriso básico: "ah, brazilian... Rio de Janeiro?? Ronaldinho??" :P
Aí me mandaram pra polícia, pra fazer o visto... dei o passaporte, me deram um papel pra pagar no banco... fui no banco... tinha que trocar dinheiro... troquei dinheiro... fui no banco, paguei... levei o comprovante na polícia... fiz o maldito visto...

Voltei pro ônibus, todo mundo começou a gritar comigo (decerto porque demorei demais... que culpa eu tenho?? :P)

Depois de todas as paradas, as tentativas de dormir (sentada, com a cabeça caindo no ombro e batendo na janela)...

Terça, 10hs... chegada em Tbilisi

E não, a viagem não termina aí!!! Porque aí encontrei com o pessoal da AIESEC e eles me levaram pro lugar onde eu ia morar: Rustavi, uma cidade a uns 30km de Tbilisi...

Lá pelas 11h da manhã, finalmente pude tomar um banho e dormir algumas horas decentemente... :)

Resumo da viagem:


E agora estou em Tbilisi, organizando a primeira conferencia da AIESEC na Ásia Central e Caucasus... amanhã começamos!!! O pessoal tá se empolgando por aqui!! Mais notícias em breve :)

16.4.09

Bulgária... e a incrível sensação de estar em casa...

Adoro a Bulgária!!


Não é o país mais bonito que já conheci... tampouco o de história mais interessante... também não é o que mais me impressionou... mas é, com certeza, onde eu me sinto mais em casa!

Cheguei em Sofia (a capital) e achei meu caminho até o apartamento do MC... tomei um banho e percorri a pé os 20 minutos até o escritório, como se estivesse andando na minha cidade natal... cheguei no escritório e fui recebida com abraços fortes de uma “família” que me acolhe muito bem...


(a vista da janela do escritório)

...participei de uma conferência onde discuti assuntos interessantes com gente muito inteligente e com vontade de mudar o mundo... compartilhei meus aprendizados, minhas viagens e cultura brasileira com gente que tá se preparando para o intercâmbio e me fazia perguntas inteligentes sobre o Brasil (nada dos estereótipos samba-mulher-pelada-futebol-e-carnaval!)... vários membros vieram me agradecer e apreciar meu trabalho... e, falando de trabalho, tive a visita mais produtiva da minha gestão!

(com o pessoal da coferência)

(trabalhando com o novo time do MC - criando o modelo de planejamento para os comites locais)


...como não gostar?

Além disso, aprendi um monte sobre a Bulgária, a cultura... já consigo ler cirilico, entendo várias palavras... aprendi a dançar "XOPO" (se lê "roro"), dança típica de lá... me levaram num restaurante típico pra comer comida búlgara...

(dançando xopo)

(com o pessoal do CL Sofia UNWE, no restaurante búlgaro)

E não foi só isso!

O pessoal de lá me mimou um monte! :) Carregavam minha mala/mochila, cozinharam pra mim, me levaram pra passear, me convidaram pra visitar suas cidades (e, assim, conheci Veliko Tarnovo e Varna), me receberam em suas casas, não me deixaram sozinha nem por um minuto (sempre tinha alguém tomando conta de mim... e quando um não podia mais estar comigo, ligava pra outro que vinha me encontrar), foram ótimos guias turísticos, ficavam super felizes toda vez que eu lia em cirílico ou falava algo em búlgaro... e um deles até levou minha roupa suja pra lavar na máquina de lavar dele...

(janta com o MC - os guris que cozinharam pra gente!! :D)


...muito bom ter gente pensando em mim, tomando conta de mim e fazendo eu me sentir segura e confortável...

Adoro a Bulgária!!

(não faz nem 12 horas que deixei o país e já to com saudade)

É primavera!!

Incrível como a primavera acontece rápido por aqui... fui dormir num domingo de árvores tristes, sem folhas... e acordei numa segunda-feira de flores branquinhas por todos os lados...

E agora não só as flores branquinhas anunciam a alegria da nova estação como também há folhas verdinhas nascendo, as flores amarelas já estão desabrochando (as próximas, pelo que lembro do ano passado, são as cor-de-rosa), as mesinhas dos cafés já estão nas ruas... e a temperatura finalmente tá agradável! Tava com saudade...

E, como filosofia de Mafalda nunca é demais, repito a do ano passado...

13.4.09

O melhor da Sérvia são os sérvios

Na Sérvia, minha visita teve foco em visitar os comitês locais... isso significa que em 1 semana visitei 3 comitês e tive reuniões com mais 2... e isso também significa que viajei bastante pelo pais e conheci várias cidades... Belgrado, Kragujevac, Novi Sad, Subotica, Nis...


Belgrado me recebeu com a chuva que chorava os 10 anos do bombardeio... mas depois se fez primavera de temperatura agradável que deixou a gente caminhar pela fortaleza e ver o lugar onde o Danúbio e o Rio Sava se encontram. Também lá vi um pouco da vida noturna – a ruazinha de restaurantes típicos onde tomamos vinho e recebemos serenata de música folclorica, o fast-food barato onde experimentei comida típica, o karaoke onde meus amigos se aventuraram e cantaram no palco.

(chuva em Belgrado)

(na fortaleza)

Em Kragujevac conheci a primeira escola de lingua servia, datada de séculos atrás... em Novi Sad passeei pelo centro de prédios iluminados e tão bonitos quanto os de Budapeste ou Viena, saí pra tomar rakia com mel e ouvir música típica tocada por acordeão, violão e contrabaixo... e no sábado aproveitamos o sol e a manhã agradável pra dar uma volta pela fortaleza de lá e, mais uma vez, ver o Danúbio cortando a cidade.

(musica tipica ao fundo)

(na fortaleza)

Subotica recebia a primavera com as primeiras mesinhas dos cafés do lado de fora e com um grupo de trompetistas que animava um casamento, no meio da praça. E em Nis além de ver a influência turca na arquitetura da cidade, fui numa kafana (restaurante típico sérvio, normalmente com música ao vivo) e tive um bom jantar típico.

(mesinhas na rua em Subotica)

Mas, como diz o título desse post, o melhor da Servia são os sérvios! Minha semana por lá não seria a mesma se não fossem os ótimos hosts que me receberam, me levaram pra passear,me mostraram a cultura, a música e a hospitalidade dos sérvios... Hvala!


26.3.09

Mais sobre guerra...

Já que eu falei de guerra no post anterior, um pouco mais sobre essa região que ando visitando...

Cheguei em Belgrado, na Sérvia, no dia 24 de março... exatamente 10 anos depois do dia que comecou o bombardeio feito pela OTAN na cidade...

A guerra da Iugoslavia acabou em 95... em 98 comecou a Guerra do Kosovo... no inicio de 99, foram assinados acordos de paz... e em 24 de marco de 99, a OTAN comecou uma operação de bombardeio a Servia... o bombardeio durou quase 3 meses: de 24 de março a 11 de junho... e a cada noite alguma coisa era destruída, os principais alvos sendo aqui, em Belgrado.

Como em toda guerra, e dificil saber quem tem razao... conversando com os servios, eles dizem que a guerra ja tinha acabado e que não há motivos para a OTAN ter bombardeado Belgrado... lendo na wikipedia (desculpa, mas nao encontrei versao em português), dizem que os servios nao tinham aceitado os acordos de paz e que o bombardeio tinha como objetivo a retirada dos exercitos servios do territorio de Kosovo...

...qualquer que seja a explicação, eu nao acho que guerra seja solução... e pra mim o que fica sao as historias impressionantes que meus amigos contam...

entao nesse dia 24 de marco de 2009, muitos de meus amigos tinham em seus nicknames na internet coisas como "10 anos - nunca esquecerei"... na praça principal da cidade tinha um palco, discursos e música sérvia... nas ruas, algumas pessoas protestando...

...mas o que marcou foi que eu estava com 2 sérvios em um café... e de repente faltou luz... e eles disseram "nossa, isso lembra os tempos dos bombardeios"... o outro começou a imitar o barulho da sirene que anunciava os bombardeios... e eu: "ah, e aí vocês corriam pros abrigos anti-bomba"... e eles "é, nos primeiros 10 dias..."

A conversa segue, a luz de velas, já que a luz ainda não tinha voltado:
"Como assim, nos primeiros 10 dias? e depois?"
"Ah, depois já não tinha mais sentido... nada mais tinha sentido... no começo a gente tinha medo, depois já não tinha mais... eram mais de 20 países bombardeando a gente sem motivo... chega uma hora que nada mais faz sentido e nada mais importa... no começo as pessoas corriam pros abrigos, depois de um tempo, quando ouviam as sirenes, corriam pras pontes, pra tentar fazer com que as pontes não fossem bombardeadas... lá em casa a gente construiu abrigo, mas nunca usou..."

...
(sim, fiquei sem palavras)

23.3.09

Sarajevo

Sarajevo foi, com certeza, uma das cidades mais interessantes que visitei...

Pra quem não sabe: Sarajevo é a capital da Bosnia-Herzegovia, uma cidade com pouco mais de 300 mil habitantes... uma cidade que hoje é tranquila, segura e que tem um povo super amigável, aberto a ajudar os estrangeiros... e super orgulhosos de sua cidade, seu país...

Caminhar em Sarajevo é pisar em história. Quando cheguei lá, me levaram pra passear pela cidade e, quando eu cruzava uma ponte, me disseram: "Aqui, nessa ponte, é onde Francisco Ferdinando foi assassinado... e isso foi o estopim da 1a Guerra Mundial"...

(essa é a ponte!)

Além disso, andando pelo centro ainda dá pra ver os estragos feitos pela Guerra da Iugoslávia no país... essa guerra aconteceu de 1992 a 1995 e durante esse tempo Sarajevo esteve cercada... é que a cidade fica em um vale, cercada por montanhas por todos os lados... e em todas as montanhas, estavam os exércitos da Sérvia, cercando a cidade.


(cemitério - tem muitos na cidade...)

Enquanto caminhava com um amigo bosnio, ele me mostrava predios que foram destruidos durante a guerra... e me contava o quanto a cidade perdeu durante aqueles anos... tiveram sua maior e mais importante biblioteca queimada... e todo o conhecimento do país estava lá... também várias de suas mesquitas e outros prédios religiosos foram destruidos...

(na mesquita)

E eu ficava imaginando como deve ser dificil depois de uma guerra, com o país devastado, reconstruir tudo... e eles tão fazendo isso muito bem... hoje o centro da cidade já tá praticamente todo reconstruido... e há varias obras em construção (pra saber mais sobre a guerra, leia aqui)


(reconstrução...)

O maior efeito da guerra, acho eu, tá nas pessoas... conversando com o mesmo amigo, perguntei: "e tu, onde tava durante a guerra"? E ele disse... "moramos por 4 anos debaixo da terra"... e essa era a situação de diversos amigos meus... moraram em abrigos anti-bombas por 4 anos, sem eletrecidade, água, comida ou assistencia médica...

Como a cidade estava cercada, tinha 1 única forma de entrar/sair da cidade... era um túnel feito embaixo da pista do aeroporto... e por aí traziam o que podiam do lado de fora... hoje esse tunel é simplesmente atração turística

(comentário para os aiesecos: me contaram que um MCP da AIESEC Bosnia foi pra uma conferencia internacional durante a guerra através desse tunel... e depois da conferencia, ele voltou! E isso fez com que passassem a acreditar na AIESEC como uma organização em que se podia confiar, já que ele não usou a conferencia como desculpa pra fugir do pais!)

Outra coisa legal de Sarajevo é a diversidade cultural/religiosa... o centro da cidade tem um lugar (que é com certeza meu lugar preferido lá) que se tu para e olha pra um lado, vê uma cidade que se parece muito a qualquer capital europeia (Budapeste, Viena, Zagreb, Ljubljana)... com prédios com arquitetura "austro-hungara"... E se tu vira de costas e olha pro outro lado, te sente em Istanbul... ruazinhas estreitas, de pedra, lojinhas de comércio "turco", um "bazar" onde é sempre bom pechinchar, doces iguaizinhos aos da Turquia... influencia do imperio Turco-Otomano (é que Sarajevo ficava exatamente na fronteira entre esses 2 impérios e teve muita influência de ambos!)

(o lado "ocidental" da cidade)

(o lado "oriental" - viu a diferença?)

A diversidade religiosa também é muito legal... há um lugar da cidade onde, em um raio de 50m, tu encontra uma mesquita, uma sinagoga e uma igreja cristã ortodoxa! Dizem que é o lugar no mundo onde essas 3 religiões (muçulmanos, judeus, cristãos) estão mais próximos uns dos outros :)

(a mesquita)

(dentro da mesquita - tirando foto da torre da sinagoga)

E falando em diversidade, já imaginou um país com 2 governos diferentes? Pois na Bosnia é assim: dentro do país há 2 republicas diferentes - a Federação da Bósnia e Herzegovina e a Republica Servia (não confunda essa com o país vizinho - Servia!) E o governo da Bósnia é presidido por 3 presidentes (!!!): 1 bósnio, 1 croata e 1 sérvio... interessante? quer aprender mais? leia na wikipedia...

E se tu te interessou e quer visitar a Bósnia e Sarajevo: vai! Sarajevo é com certeza muito mais segura que a maioria das cidades brasileiras... eu andava sozinha a noite sem problemas, comia comida de rua (burek, cevapi)... e muita gente lá fala inglês e adora ajudar turistas (eles falam diversos idiomas porque, os que sairam do país durante a guerra e moraram por uns anos fora, agora voltaram e falam outros idiomas fluentemente)

E a maioria dos bosnios que conheci são pessoas super orgulhosas do seu país e positivos quanto a seu futuro - e muitos deles tem certeza que vão morar lá pra erguer ainda mais seu país!

(bebendo água... dizem que se tu bebe essa água, tu vai voltar pra Sarajevo!)